Desafio das 100 páginas
Na sala de embarque saquei o “Meu nome é vermelho” e embarquei no meu duplo desafio: conseguir ler 100 páginas em um dia e terminar aquele livro chatérrimo. Este livro é do paquistanês Orhan Pamuk, ganhador do Nobel de literatura deste ano. Comprei-o todo animado no último domingo de outubro, logo após votar no segundo turno das eleições presidenciais. Geralmente não lembro do que fiz em qualquer data passada, mas aquele domingo havia sido marcante. Após uma escaldante partida de basquete no parque do Ibirapuera, com a camisa suja e suada votei. E para minha alegria, ao lado, do colégio havia uma livraria que estava aberta e lá encontrei o livro que eu já tinha selecionado para ler. Mas a história ia muito devagar sem maiores encantos literários. Será que o cara é bom mesmo? Será que eu não estou captando o seu brilhantismo? Procurei críticas literárias na web tratando do livro e tudo que encontrei enaltecia o autor e a obra. Raios! Se eu tivesse achado um punhado de críticos crucificando o livro eu teria o abandonado sem remorso. Mas como todos aplaudiam, eu tinha que ir em frente. E agora eu queria ler 100 páginas em um dia. Isso seria uma conquista. Se eu fosse capaz de ler 100 páginas em um dia eu poderia devorar um livro de 500 em cinco, não precisaria mais fugir dos livros grossos. Fiquei horas entretido com a história dos miniaturistas turcos. Comecei a gostar daquela cantilena repetitiva que me impingiu um ritmo mais lento, menos galopante. Algumas horas depois eu havia lido 70 páginas e já começara a lamentar que em breve terminaria o livro.

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